Acima de determinada temperatura do corpo, dizemos que a pessoa está com febre. Febre costuma ser uma situação que deixa os pais, no mínimo, tensos. No entanto, a febre é um dos mecanismos de defesa que o organismo utiliza quando é infectado por uma bactéria ou vírus. A febre não é uma doença e sim um sinal ou sintoma. A febre estimula o sistema imunológico em mais de uma maneira e são muito raras as situações onde possa realmente produzir algum dando à saúde da pessoa, além do desconforto que gera.
Para se saber se uma pessoa está ou não com febre, é preciso medir a temperatura do corpo. Para isso, existem diferentes tipos de termômetros e locais onde essa temperatura pode ser medida. A seguir os principais tipos de termômetros:
- a mão- talvez o primeiro “termômetro” que todos nós utilizemos seja nossa mão. Colocamos a mão na testa, na bochecha, no pescoço de nossos filhos e julgamos se está “quente” ou não. Se estiver, suspeitamos de febre. Muitas pessoas se contentam com essa avaliação. No entanto, ela é muito pouco precisa e, se desconfiarmos de febre, devemos medir a temperatura com um instrumento mais preciso.
- termômetro de mercúrio- é o mais tradicional de todos. Aquele que tem um bulbo e filete prateado. Sua leitura nem sempre é simples, exigindo um pouco de prática. Antes de cada uso é preciso sacudir o termômetro para recolocar o mercúrio em uma posição abaixo da marca de 36°C. Estes termômetros exigem em torno de 4 a 5 minutos para que possam ser lidos. Os termômetros de mercúrio estão em desuso e não são recomendados para uso em crianças por causa dos riscos de toxicidade, em caso de quebra. Crianças se movimentam mais, pegam as coisas sem nos darmos conta, mordem, atiram no chão, tornando o risco de quebrar um termômetro de mercúrio maior.
- termômetro digital – em uso desde os anos 80, atualmente são facilmente encontrados a um custo competitivo. Apresentam a temperatura em números digitais, de fácil leitura e são mais rápidos do que os termômetros de mercúrio. Em geral levam 60 segundos para soar o alarme. Alguns modelos ou marcas chegam a soar em 30 segundos, outros em um pouco mais de um minuto. Não são tóxicos nem agridem o meio ambiente.
- chupeta termômetro- é uma variação do termômetro digital. Sua precisão é questionável e deveria ficar imóvel, o que é difícil com uma criança.
- termômetros de ouvido- estes termômetros medem a temperatura da membrana do tímpano. Até o presente momento, somente os modelos profissionais, caros e disponíveis no exterior, são confiáveis. No entanto, muito provavelmente com o
desenvolvimento de sua fabricação, surgirão modelos mais baratos e precisos. A grande vantagem deste termômetro é a velocidade com que mede a temperatura- 2 segundos! Ainda não podem ser usados em bebês abaixo de 3 meses porque o conduto auditivo destes é estreito para os aparelhos existentes. - termômetro da artéria temporal – um novo instrumento que está ganhando popularidade, mede a temperatura sobre o fluxo da artéria temporal (que corre na lateral da testa, nas têmporas). Ainda é um termômetro caro e sua precisão está sendo questionada. No entanto, assim como o termômetro de ouvido, este deve ser um que vai melhorar a precisão e reduzir o seu custo.
- fitas para testa- existem fitas que são colocadas na testa e mudam de cor, em função da temperatura do corpo. Estas fitas não são precisas e, por isso, não recomendadas.
Além de diferentes termômetros, a temperatura do corpo pode ser medida em vários lugares. No Brasil, praticamente só utilizamos a medida da temperatura axilar (debaixo do braço), mas outros lugares podem ser utilizados:
- temperatura retal- é considerada a medida mais precisa da temperatura corporal. No entanto, não deve ser usada em bebês e crianças pequenas por causa do risco de acidentes, incluindo a perfuração do intestino. A temperatura retal é mais alta do que a axilar e somente se considera febre quando for maior do que 38°C.
- temperatura oral- é considerado um bom método para se aferir a temperatura do corpo, desde que a pessoa não tenha ingerido líquidos quentes ou frios nos 15 minutos que precedem a medida. No entanto, exige a cooperação da criança para permitir que o termômetro permaneça embaixo da língua (por isso a chupeta-termômetro não é recomendada- fica em cima da língua). Somente crianças maiores do que 5 anos conseguem cooperar. Caso for utilizar este método, nunca use um termômetro de mercúrio porque há sempre o risco da criança morder o instrumento. Na boca, a temperatura é mais alta do que na axila e mais baixa do que no reto. Somente se considera febre quando for superior a 37,8°C
- temperatura no ouvido- provavelmente será o método “do futuro”. A temperatura do ouvido é semelhante à do reto. Somente se considera febre quando for maior do que 38°C.
- temperatura na artéria temporal- varia em função da idade, mas, somente acima 37,8°C a 38°C seria considerado febre.
- temperatura axilar- ainda que não seja a mais exata ou precisa, é a mais prática e a que usamos no Brasil. A axila deve estar seca (crianças maiores com febre podem estar suadas) e os bebês não devem estar completamente enrolados em mantas na hora da medida. Somente se considera febre uma temperatura axilar acima de 37,2°C.
Conclusões práticas:
- Febre não é uma doença. É um sintoma/sinal, além de ser um dos mecanismos de defesa do corpo. Não há necessidade de se abaixar a febre a qualquer custo. Mas, avise seu pediatra. Ele é a melhor pessoa para lhe orientar.
- Existem vários tipos de termômetro e lugares diferentes para se medir a temperatura.
- No Brasil usamos e vamos continuar usando por algum tempo a temperatura embaixo do braço (axilar). Lembre-se de secar a axila e de não medir com o bebê enrolado em manta ou cobertor.
- A temperatura do corpo varia, não sendo constante durante o dia. Habitualmente é mais baixa na madrugada e mais alta no final da tarde.
Este é um assunto “quente”. Talvez nem tanto pelo método de medir, mas, pela febre em si. Vou gostar de receber os comentários e dúvidas de vocês.