Se é verdade que todos os dias são dias da criança, existe uma, com toda certeza, que frequentemente fica esquecida e raramente é celebrada. Não falo de crianças pobres. Estas, como todas as outras, se estiverem minimamente bem de saúde, saberão como brincar. Brincam com pouco ou nada, como todas as crianças são capazes de fazer. Crianças são espontâneas e criativas. Por isso nos surpreendem e encantam.
Então, de que criança estaria eu falando? Deixe-me começar pelo começo e só peço uns tres minutos da sua atenção. 
Era uma vez um pediatra que sentiu a necessidade de escrever um blog para os pais e, talvez, para adolescentes. Não queria escrever um blog sério, sisudo, cheio de expressões médicas ou técnicas. Queria compartilhar informações confiáveis, de uma forma que o maior número de pessoas pudesse entendê-lo. Se possível, queria que o texto fosse leve e, onde coubesse, com algum humor. Pois bem, o tempo foi passando e esse pediatra foi escrevendo ora a respeito de coisas ligadas à saúde, ora sobre questões comportamentais e até sobre algumas doenças ele escreveu. Ele se divertia muito escrevendo e gostava quando os pais lhe mandavam comentários. Muitas vezes ele não tinha como responder porque os pais queriam saber coisas dos seus filhos. Filhos que ele, pediatra, não conhecia e, por isso, não podia comentar especificamente. E assim, o tempo foi passando quando, de repente (toda historinha que se preze tem que ter um momento súbito, um de repente!) chegou o dia 12 de outubro, dia da criança. O que escrever, pensou ele?
Pensou, pensou, pensou e só sabia que não queria escrever nada que fosse banal e óbvio. Empacou! Quando empacou, se assutou e pensou: “melhor eu não inventar nada e escrever sobre sinusite!”. Sinusite é mais simples do que dia da criança, pensou ele. Foi aí que pensou em falar da criança que não é lembrada. A criança que mora dentro de cada adulto! Decidiu então escrever para esta criança, incentivando-a a fazer algumas coisas:
– lembrar de como era quando criança e tentar brincar, com seu filho,
ao menos de uma das suas brincadeiras favoritas
– pintar ou desenhar. Vale lápis de cor, tinta guache, lápis de cera, tinta a óleo. Vale tudo, só não vale dizer que não sabe desenhar. Inventa.
– contar a história do desenho para seu filho.
– se lambuzar comendo sorvete ou chocolate e gargalhar com o filho ou filha
– andar descalço
– se estiver chovendo, chutar poças, sem guarda-chuvas
A lista poderia continuar, mas o pediatra achou melhor que cada um fizesse a sua listinha. Mais do que uma listinha, ele gostaria que os adultos pensassem menos no que fazer e mais no como poderiam ser com seus filhos nesse dia. Que soltassem a espontaneidade e criatividade sem o menor receio de parecerem ridículos. Pelo contrário, com o maior desejo de serem felizes.
Finalmente, o pediatra pensou, se eu ainda tivesse uma filhota pequena me abraçaria com ela e diria: você sabia que papai já foi criança como você? Sabia que é uma delícia poder brincar com você e que papai adora ser seu pai? (As mamães podem e devem mudar o título!).
São sugestões. Feliz dia das crianças para todos os adultos!
