Médicos gostam de nomes complicados. Parece dar uma certa importância a coisas simples. É o caso de epistaxe, um nome pomposo para um
simples sangramento pelo nariz. Apesar de ser algo simples, costuma assustar os pais, porque a impressão que estes têm é de que o filho sangrou muito. O sangue, como qualquer líquido, se difunde por tecidos que não sejam impermeáveis. É o que acontece com a fronha, habitualmente feita de tecido absorvente. Um pouco de sangue faz uma mancha enorme, assustando a qualquer um que a veja. Mas, na grande maioria das vezes, o sangramento nasal é de pequena quantidade, sem maiores consequências para a criança.
A epistaxe é algo relativamente frequente em crianças. Em torno de 30% das crianças entre 2 e 5 anos e 56% entre 6 a 10 anos, apresentam, ao menos, um episódio de sangramento nasal. Abaixo de 2 anos a epistaxe é rara.
O nariz é uma estrutura muito vascularizada (com muitas artérias e veias), além de ter uma área de superfície relativamente grande. Isso permite que o nariz cumpra algumas de suas funções: filtrar, umidificar e aquecer o ar inspirado. Uma das áreas mais vascularizada se chama plexo de Kiesselbach, localizado no septo nasal anterior (veja a ilustração). A grande maioria dos sangramentos nasais em crianças acontece a partir dessa área.
As principais causas de epistaxe são:
– ressecamento da mucosa- o que ocorre com o tempo mais frio e seco (umidade relativa do ar mais baixa)
– trauma, sendo o líder no ranking das causas traumáticas, a “futucação” do nariz, com o dedo.
– rinite pode favorecer o aparecimento de um sangramento tanto pela alteração da mucosa como pelo uso (de forma incorreta) de medicação nasal em spray
– infecções como resfriados podem contribuir para um um sangramento, pelo processo inflamatório, pelos espirros, por uma certa fragilidade da mucosa do nariz.
Se o seu filho apresentar uma epistaxe, existem três coisas importantes que você deve fazer:
1-MANTER A CALMA. Mesmo que pareça muito sangue, não é o suficiente para causar problemas para seu filho. Lembre-se que o sangue, na fronha, se “espalha”, dando a sensação de um sangramento muito maior do que, de fato, é. Respire fundo e mantenha a calma. Lembre-se que seu filho ou filha ficarão assustados quando virem o sangue e a sua calma também é importante para eles.
2- NÃO COLOQUE A CABEÇA PARA TRÁS. Essa pode ser nossa primeira reação, mas essa posição (com a cabeça para trás), pode fazer com que a criança engasgue ou aspire o sangue. Deixe a cabeça reta ou, incline o tronco do seu filho discretamente para a frente.
3- COMPRIMA A PONTA DO NARIZ, com os dedos funcionando como se fosse um pinça. Mantenha a compressão pelo menos por 5 minutos antes de soltar para verificar se o sangramento parou. 5 minutos é uma eternidade! Marque no relógio para evitar de aliviar a compressão antes do tempo e descobrir que ainda está sangrando. Se quiser manter a compressão por mais de 5 minutos, melhor. Se, ao aliviar a compressão, constatar que ainda está sangrando, repita a operação, calmamente. 
Veja na foto o menino da direita fazendo a pinça com os dedos, de forma correta e o da esquerda, de forma incorreta. Como, neste caso, as fotos explicam melhor do que qualquer texto que possa produzir, coloquei mais duas fotos sobre como fazer a compressão. 
Resumindo:
– sangramentos pelo nariz são frequentes e beningnos. Não devem ser motivo de preocupação.
– calma
– não colocar a cabeça da criança para trás. Mantê-la reta ou inclinar o tronco um pouco para a frente.
– comprimir com os dedos funcionando como um pinça por, pelo menos, 5 minutos (contados no relógio!).
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