A febre, principalmente em crianças, dispara em muitos pais um receio enorme de que algo muito grave esteja acontecendo com seus filhos. De fato, a febre é um sinal de alarme e deve ser valorizada. A pergunta é, quanto medo é razoável?

Toda febre em recém-nascido com menos de três meses merece uma avaliação cuidadosa porque esse pode ser o único sinal de infecções bacterianas sérias, nessa faixa de idade.

No entanto, em crianças acima de três meses, com estado geral bom ou regular, ativas, a febre é uma evidência de um sistema imunológico (de proteção) que está funcionando bem. A própria febre contribui para que uma série de processos de defesa funcionem de forma mais efetiva. Já podemos perceber que, se por um lado existem temores relacionados com a febre, por outro ela contribui para uma resposta de defesa do organismo mais eficiente.

Claro que esta informação não é tranqüilizadora diante de uma criança em que a febre aumenta, geralmente à noite. As febres tendem a subir no final da tarde e à noite da mesma forma que a nossa temperatura corporal normal sobe nesse período.

Os medos mais comuns dos pais, relacionados à febre dizem respeito à integridade do sistema nervoso. Há um temor de que a febre possa produzir danos cerebrais à criança. De fato, a febre não produz nenhum dano para o cérebro, ou para o corpo, apesar de aumentar a necessidade de ingestão de líquidos. Mesmo sem ser medicada, uma febre muito raramente ultrapassa 40,5°C. Existe, no corpo humano, um mecanismo de auto-regulação da temperatura que não permite que uma febre suba de forma indefinida. Uma febre não medicada vai chegar até certo ponto e depois baixará sozinha, voltando a subir novamente, enquanto persistir a causa da febre.

Com relação ao risco de convulsão febril, apenas 5% das crianças com febre apresentam um episódio, que nunca é agradável de ser visto. Mas, as convulsões produzidas pela febre não produzem lesão cerebral nem causam epilepsia. Apesar de serem benignas, se uma criança apresentar convulsão febril, deverá ser avaliada por um pediatra.

Como responder à pergunta lá de cima? Acredito que a febre deve ser sempre valorizada como um sinal de alarme e de bom funcionamento do sistema imunológico. Nunca deve ser desprezada e em lactentes com menos de 3 meses, exige uma avaliação imediata. Mas, em crianças maiores, com bom estado geral, não deveria ser motivo de medo ou receio.