Para responder a esta pergunta, convidei a Dra. Beatriz Simões Corrêa, oftalmologista da Sociedade Brasileira de Oftalmologia. Vejamos o que nos diz a Dra. Beatriz:

Opa! Para começo de conversa, é bom deixar claro que “vesgo” não é a melhor palavra para definir alguém que apresenta desvio nos olhos. O certo é usar o termo estrábico. Afinal, essa pessoa tem o que os médicos chamam de estrabismo! Quem tem estrabismo não consegue dirigir, ao mesmo tempo, os olhos para um determinado ponto. Isso ocorre porque a pessoa estrábica tem um dos olhos torto, ou seja, fora do eixo.

Muitas crianças entre três e seis meses de idade desenvolvem este desvio. Por isso, é sempre aconselhável uma visita ao oftalmologista – médico especialista em olhos – logo no primeiro ano de vida. Mas o estrabismo também pode ser adquirido mais tarde, por causa de traumatismos que provoquem paralisia cerebral. Para saber como o estrabismo surge, precisamos conhecer um pouco mais sobre os nossos olhos! Ao redor deles, existem músculos que possibilitam a sua movimentação (observe as figuras abaixo). Assim, quando olhamos de um lado para o outro, usamos a força desses músculos. O estrabismo surge quando há algum desequilíbrio entre eles. Se um dos músculos fizer mais força que os outros, ele puxará o olho para o seu lado. Com isso, a pessoa estrábica não conseguirá direcionar ambos os olhos para o mesmo objeto. Toda essa briga de força muscular faz com que o cérebro receba duas imagens: a do olho normal e a do olho estrábico. Como ele não pode trabalhar com as duas, esconde a produzida pelo olho com desvio. Esse olho tem plena capacidade de formar imagens e é considerado normal. Mas, se o estrabismo não for tratado, pode ocorrer diminuição acentuada na visão.

Alguns tipos de estrabismo podem ser causados por problemas de visão, como a hipermetropia, por exemplo. Quem apresenta hipermetropia, tem os olhos mais curtos que o normal. Isto provoca dificuldade para enxergar de perto. A pessoa tende a fazer enorme esforço para aumentar a curvatura do cristalino – uma lente transparente que fica por trás dos olhos – e colocar a imagem captada sobre a retina. Todo esse trabalho provoca cansaço, dor de cabeça e, em alguns casos, estrabismo.

O estrabismo deve ser tratado o mais cedo possível, sempre nos primeiros anos de vida. No caso do estrabismo provocado por hipermetropia ou outro tipo de deficiência visual, o tratamento adequado é o uso de óculos. Depois, tapa-se o olho normal para estimular o olho com desvio a melhorar a visão. Sabe qual o resultado? O olho com estrabismo tende a desenvolver a visão igual ao do outro! Pode acontecer de ambos os olhos apresentarem estrabismo. A impressão que temos é de que a pessoa está tentando olhar algo que pousou na ponta do seu nariz. Neste caso, é feita uma operação para alinhá-los. Essa cirurgia deve ocorrer entre o primeiro e o segundo ano de idade por causa do rápido crescimento do olho.

Como o melhor é prevenir, converse com seu pediatra sobre a necessidade de levar seu filho ao oftalmologista para uma avaliação.

O texto acima foi publicado na Revista Ciência Hoje das Crianças e cedido para este post pela Dra. Beatriz Simões Corrêa e pela revista.