Anemia é uma situação onde há uma redução na concentração de hemoglobina ou das hemácias, no sangue. As hemácias são as células vermelhas, responsáveis pelo transporte do oxigênio para as demais células. Dentro das hemácias existe uma proteína responsável direta por esse transporte. Essa proteína se chama hemoglobina e está representada na figura ao lado. Existem muitos tipos e causas de anemia, alguns dos quais hereditários. Mas, a anemia mais comum e frequente é aquela devida à carência de um elemento da nossa alimentação, o ferro. O ferro é importante para a produção da hemoglobina e da mioglobina, que é uma proteína presente nos músculos, também envolvida com o transporte de oxigênio
Quando um bebê saudável nasce, ele tem uma reserva de ferro, vinda do sangue da mãe, que dura em torno de 6 meses. Portanto, no período em que a maioria dos bebês vai estar mamando leite materno, exclusivamente, as reservas de ferro são suficientes. A partir do sexto mês de vida, é importante a introdução de alimentos que contenham ferro ou a suplementação com medicamentos. No caso de um bebê prematuro, suas reservas são bem menores e a suplementação com medicamento é recomendada a partir do primeiro mês de vida. Em ambos os casos, esta suplementação com medicamentos pode ser interrompida assim que o bebê ou a criança estiverem recebendo suficiente ferro na sua alimentação.
Atualmente se sabe que a deficiência de ferro pode ter um efeito negativo no desenvolvimento motor e mental da criança. Por isso é importante, a partir dos 6 meses, uma alimentação diversificada, com fontes de ferro. As principais fontes de ferro são: carnes, gema de ovo, folhas verdes como o brócolis, espinafre, couve, os feijões, os cereais infantis fortificados com ferro e, para as crianças maiores, passas e damascos secos. Esta não é uma lista completa, apenas alguns exemplos. O ferro contido na carne é de melhor absorção que o ferro nos legumes e frutas. Quando o ferro (seja de carnes ou de legumes) é acompanhado por alguma fruta com vitamina C (laranja, mamão, goiaba, kiwi) sua absorção é ainda melhor.
Crianças menores de um ano que recebem leite de vaca integral (em pó ou líquido) podem ter perda invisível de sangue nas fezes, produzindo anemia. Por esse motivo, o leite de vaca não é recomendado antes de um ano de idade. Se a criança não mama mais no peito, deve ser oferecida uma fórmula infantil especialmente balançeda para a idade (leites em pó específicos para bebês).
Não são só os bebês que merecem uma atenção maior com relação à alimentação. Os adolescentes também apresentam, com alguma frequência, deficiência de ferro. Isso porque, com o crescimento, há uma expansão do volume de sangue e um aumento da massa muscular. No caso das meninas, há ainda a menstruação que, se for muito intensa, pode contribuir para uma deficiência de ferro. Uma deficiência de ferro não costuma dar sintomas e só pode ser diagnosticada através de alguns exames de sangue. Não há consenso sobre se realizar exames de rotina em adolescentes, ficando esta decisão a cargo do pediatra que vai avaliar caso a caso.
Para resumir, se conseguirmos dar uma alimentação diversificada, um prato colorido, para nossos filhos, em todas as idades, estaremos
prevenindo a deficiência de ferro e muitas outras doenças. Portanto, o melhor remédio para doenças “modernas” é um prato de comida à moda antiga! Alguém se lembra do Popeye? Bem antigo!
Se tiverem alguma dúvida ou quiserem fazer algum comentário, serão serão sempre bem-vindos.