Lei-da-PalmadaUma palmada faz mal sim! Uma palmada é sinal de que o adulto perdeu a paciência e não um ato que eduque ou discipline. Se fosse, ninguém conversaria, explicaria, colocaria de castigo, antes de dar uma palmada. Se palmada fizesse realmente bem para educar uma criança, seria a primeira coisa a ser feita. Mas, alguns poderão argumentar que, apesar de não ser o ideal, nem a primeira coisa que se deva fazer, uma palmada bem dada, tem o seu momento. Ou, que algumas crianças só param de fazer pirraça, chorar ou fazer algo que não deva ser feito, quando recebem uma palmada. Alguns podem chegar a dizer que uma palmada dada com “amor”, não dói. Como se existisse alguma forma de violência que pudesse ser aplicada a outro ser humano, com amor!

Gostaria de listar alguns argumentos pelos quais não deva dar palmadas em crianças, nunca.

  • Bater ensina a bater. Uma criança que recebe uma palmada, entende que bater é algo permitido ou possível. Mais, que alguém maior pode bater em alguém menor. Assim, um irmão maior pode se sentir “autorizado” a bater em um menor ou na escola usar violência contra uma criança menor.
  • Bater ensina que esse é um bom método de se resolver problemas e que a agressão física é uma atitude normal e que a força bruta é mais importante que o diálogo.
  • Bater mina a auto estima da criança porque esta sente que deve ser muito “errada” para merecer uma palmada de quem passa os dias e horas dizendo que a ama. A palmada é uma mensagem que confunde a criança que ainda não tem capacidade de entender e acomodar contradições.
  • Bater faz a criança temer o mais forte ou mais poderoso, podendo se refletir, na vida adulta em uma postura de aceitação e submissão de abusos (verbais, profissionais etc.).
  • Bater nas mãos inibe a criatividade, curiosidade e destreza das crianças. As mãos são ferramentas de exploração, uma extensão da curiosidade infantil e um “tapinha” nestas pode mandar uma mensagem muito negativa. Melhor separar o objeto “proibido” das mãos da criança do que dar um “tapinha”.
  • Bater pode levar ao abuso. Uma vez transposto o limite entre o não bater e bater, fica mais difícil o controle em um eventual acesso de raiva dos pais. O descontrole é algo que pode acontecer por segundos, mas o abuso que se pode cometer nesse curto espaço de tempo pode ser enorme.

Se nenhum desses argumentos for suficiente para demonstrar porque não se deve bater em uma criança, deixo um argumento final, que considero definitivo:

  • Bater não funciona! Tanto a experiência de vários pais (não sei o que esse menino tem, quanto mais eu bato, pior ele fica!) quanto estudos acadêmicos, demonstram que bater não mofidifica comportamentos indesejáveis. Talvez seja o oposto porque, ao gerar raiva na criança que recebe um tapa, esta passa a confrontar mais e, quanto mais confronta, mais apanha e um ciclo vicioso negativo se instala. Bater, nem que seja “só um tapinha”, não funciona para a criança, seus pais e nossa sociedade.

Em outros posts já falei sobre limites e sua importância. O fato de me posicionar de forma inquestionável contra os “tapinhas” não signfica que a criança possa tudo, sempre. Significa que o adulto precisa ter criatividade, paciência e perseverança para impor os limites, sem ter que recorrer à violência física.

Aguardo seus comentários, sempre bem-vindos.