Algumas doenças assustam os pais. Pneumonia é uma delas. Talvez porque, no passado, estivesse associada quase sempre a algo muito
grave e com risco de vida elevado. A tradição oral, as histórias que são passadas de geração em geração, ajudam a manter esse temor diante de uma pneumonia. Não que não existam pneumonias graves e até letais. Existem, mas, felizmente, a mortalidade por pneumonia diminuiu com os recursos diagnósticos disponíveis, tais como raios x, tomografia e exames laboratoriais. Ao mesmo tempo, houve muito progresso no conhecimento da doença, das suas causas e como tratá-la. Assim, a pneumonia ainda é uma doença que exige cuidados e atenção, mas cujo desdobramento é, na maioria dos casos, a cura.
Pneumonia é um “nome guarda-chuva” para uma infeção dos pulmões. Debaixo deste nome temos uma série de sub-divisões. As mais importantes seriam: pneumonia bacteriana, viral. As pneumonias virais, como o nome indica, são produzidas por vírus e, na sua grande maioria, não têm tratamento específico. Mesmo não tendo tratamento específico, exigem atenção e acompanhamento porque, eventualmente, as crianças com este tipo de pneumonia podem necessitar de internação hospitalar para que possam receber uma hidratação venosa (soro na veia) e oxigênio. As pneumonias bacterianas devem ser tratadas com antibióticos. Somente o seu pediatra deverá prescrever antibióticos. Não pratique a auto-medicação de antibióticos porque pode contribuir para o desenvolvimento de bactérias resistentes. Algumas crianças com pneumonia bacteriana também poderão necessitar de internação hospitalar.
O diagnóstico de uma pneumonia é, essencialmente clínico. Diante de uma criança com história de febre, tosse, prostração, cansaço, o pediatra certamente vai pensar, dentre diversos diagnósticos, em pneumonia. Ao examinar a criança, a ausculta pulmonar poderá revelar alguns sons que são mais característicos em quadros de pneumonia. Um raios-x de tórax e um hemograma podem fazer parte dos exames complementares, não sendo obrigatórios. Muitas vezes, a história e o exame clínico são suficientes para que o pediatra chegue ao diagnóstico.
No inverno, as doenças respiratórias tendem a aumentar. Isso porque, com o frio, as pessoas ficam mais em ambientes fechados, onde a circulação de virus e bactérias tende a ser maior. A prevenção de doenças respiratórias se faz através do arejamento periódico dos ambientes, abrindo as janelas e permitindo que ar fresco circule. Outra importantíssima forma de se prevenir algumas infecções respiratórias é através da vacinação rotineira. A vacina contra o pneumococo, um dos principais agentes da pneumonia, é uma excelente forma de contribuir para a prevenção de pneumonias. Do mesmo modo, a vacina contra a gripe, uma doença viral, ao proteger contra a Influenza, diminui os casos de pneumonia por este virus.
Uma das preocupações dos pais é se um resfriado pode se transformar em pneumonia. Apesar de pouco usual, a resposta é sim. Um resfriado comum é uma doença viral. Se este vírus produzir uma infecção pulmonar, teremos uma pneumonia. Uma outra possibilidade é a de que uma infecção viral facilite ou favoreça o aparecimento de uma infecção bacteriana. Apesar da resposta ser sim, gostaria que se focassem no fato de que é pouco usual que um resfriado comum se transforme em uma pneumonia.
É muito difícil em um blog como este, aprofundar o assunto, que tem nuances e particularidades. Meu objetivo foi, como sempre é, de informar os pais, buscando tirar do nome pneumonia um componente de terror, sem, no entanto, banalizar a doença.
Seu pediatra é a pessoa mais indicada para lhe responder às perguntas e dúvidas que tiver. Converse francamente com ele ou ela a respeito, incluindo seus temores. Sem falar deles, não desaparecerão. Pelo contrário, tendem a aumentar. Se eu puder ajudar de alguma forma, enviem seus comentários e dúvidas que tentarei responder.